segunda-feira, 18 de abril de 2011

Quase uma carta de amor


Papel ok. Caneta ok. Caneta para enfeitar ok. Aperto no peito ok. Pensamentos e sentimentos ok – agora posso começar a escrever. Como vou começar esta carta? Preciso escrever tudo que está entalado, meu peito precisa ser esvaziado, ele tem que entender, é uma carta de amor afinal, qualquer um entende uma, não? Se eu começar com: ‘Oi, como você está? Espero que bem, eu quero te dizer que meu peito dispara toda vez que eu penso em você, que meus pensamentos já não me pertencem, quero que você saiba o quanto é especial pra mim, que te vejo nos meus sonhos até quando estou de olhos abertos, nada vai me fazer mais feliz que no dia em que você saber que eu existo! – Você, você, você...nossa! Parece um garotinho da 5° série, nem escrever sabe, e pelo amor de Deus, isso ta muito dramático.
Silêncio.
Suspiro.
Papel amassado. Jogado no Chão.

Começo novamente – minhas mãos tremem, que porra é essa? Devo ter algum problema de coordenação motora ou sei lá -, não é tão difícil, só escreva uma carta de amor:
‘Eu nunca imaginei que eu precisaria de você. Os dias parecem anos quando vejo que não está aqui. E quando você vai embora os pedaços do meu coração sentem a sua falta. As coisas que eu faço lembram você. Quero ter você aqui comigo. Sinto sua falta. Porque eu TE AMO. ’
Nunca consegui organizar o que sinto de verdade em parágrafos. É tão difícil eu mostrar o que é tão óbvio. Os bons criam amores platônicos ao seu próprio (des)gosto, maneira e fantasias. Sexuais ou não. Eu até acreditava que se não fosse amor platônico não teria graça, mas e quando a dor se torna mais constante e mais covarde?
Mudando para permanecer a mesmo. E tentando me equilibrar nessa corda bamba de infelicidades – olá, sou apenas um garoto de 21 anos que acredita em príncipes encantados! -, tudo bem. Eu sei que preciso beijar alguns sapos – eu fui sarcástico agora, se por acaso não percebeste.
Outro papel. Outra tentativa.
‘Bem, quero que você saiba que existe alguém que pensa em você antes de dormir, que queria poder te tocar e te fazer sorrir. Se eu pudesse nem pediria nada de mais, só gostaria de poder te entregar esta carta.
Sinto-me perdido de um jeito que você não conseguira imaginar, sinto o vento amargo e o mundo vazio, só porque não te tenho do meu lado. Já cansei de tentar aceitar, minhas lágrimas já nem são meu limite, preciso respeitá-las, tento evitá-las. Quero que me veja sorrir e diga: É ELE! MEU DEUS! É ELE!’
Papel amassado. Jogado no Chão.
Silêncio.
Suspiro.
Lágrima.
Amar dá trabalho. O melhor é ignorar o sentimento. Eu até suponho que possa algum dia trocar confidencias com alguém, q possa colocar minha escova de dente junto à dela, mas são suposições, assim como eu suponho o céu. Queria que minha escova estivesse do lado da dele. Não agora, são apenas devaneios de uma mente a quem um coração enclausurado se diverte. Há duas tragédias na vida: uma, é não conseguir o que seu coração deseja e a outra, é conseguir. A solidão e o amor estão sempre em cartaz em todo esse espetáculo que apresento, acredite. Nem tudo é como eu digo. É pior, muito pior! A nossa realidade é o que não conseguimos nunca, e o platônico é o sujeito do conceito da dor de um ser humano. O amor tem pacto com demônios – eu estou vendendo minha alma, aproveite! -, abençoados os corações flexíveis, pois nunca serão partidos.
Em qualquer circunstância, estarei no lugar certo, na hora certa e no momento exato. E vai ser quando vou te encontrar, porque quanto mais fujo de ti, mais de você descubro em mim. Necessito de um refugio melhor.
Outra folha. Mais um começo.
‘ Estou escrevendo uma carta de amor. Amor mesmo, porque nunca senti isso por ninguém, e tenho tanta certeza quando digo que preciso de você em meus dias. Quero poder te abraçar e te proteger, conseguir te olhar no olho e pegar na tua mão. Sei que tudo isso pode ser estranho, afinal sou eu, o Marcelo que esta aqui se declarando, acredite o amor não me livrou e nada que eu faça consegue mudar esse roteiro de sufrágio e carência, essa vontade de te ter e de poder te dizer tudo que não consigo colocar nesta carta, é muito mais fácil quando as palavras estão soltas. E entenda, não sou muito bom com elas e nem sei como apresentá-las. Só queria que soubesse que por você eu matava que por você eu morreria. ’
Silêncio.
Lágrima.
Silêncio.
Nada do que sentimos ontem vai nos segurar aqui. Na ausência de amor tudo parece funcionar plenamente. A grande verdade é que você é a pessoa que escolhe ser, mas acho que minha complexidade obscena demais. Não me faça perguntas, e não te direi mentiras – não pergunte se te amo-, se estar vivo bastasse, seria uma pessoa melhor. Seria, e conseguiria lidar com toda essa ladainha de sentimento e afeto.
Outra folha. Agora é pra valer. Uma carta de amor não é tão difícil de escrever.
‘Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem.
Caso contrário os honestos, simpáticos e não-fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta. O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão.
O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar. Costuma ser despertado mais pelas flechas do cupido que por uma ficha limpa.
Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano.
Isso são só referências. Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá,
ou pelo tormento que provoca. Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera. Ama-se justamente pelo que o amor tem de indefinível.
Não se deve brincar com os sentimentos alheios nem transformar o amor em
apenas palavras repetidas ao vento. Quero poder te beijar em cada defeito, predominar e ouvir sua respiração. Amar pelo que tu és. Ser o que eu sou.
Conto todas as infindáveis frações de tempo.Quis ter o tempo, mas ter o tempo, sem te ter a ti, é ter saudade.
Abrace-me, saiba que esse é meu ultimo pedido.’
Silencio.
Papel amassado. Jogado no chão.
Silêncio.
Silêncio.
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sábado, 9 de abril de 2011

Como aquela vez.

Tenho a plena consciência de que sempre fui vazio ao levar 'relacionamentos' assim, com esse bando de lixo que conheci durante minha vida. O único relacionamento mesmo, sem aspas, que tive, foi com o lixo dos lixos. A coisa mais podre que estava jogava as favas e que eu, por algum motivo, catei dali. Lixo fede, lixo dá nojo, e era exatamente isso que ele me dava.

Serei sincero ao te dizer que, em meio a tantos desencontros, já imaginava que cataria lixo por um bom tempo. Foi quando te conheci. Não era podre, não era sujo, não era lixo. Não, você não me dava nojo. Se você não era lixo, eu não deveria catar você. Então não o fiz.

Não sei onde isso vai dar, mas danone que não passou da validade ainda pode continuar na geladeira, sem que eu fique com nojo quando consumir. Vou te dizer com toda sinceridade que a única coisa que quero hoje, agora, é poder pegar na tua mão, sair sem rumo, parar em qualquer lugar e sentir que você me preenche, que você me completa.

Pela segunda vez.
Como aquela vez... 

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Ei, você aí.

Escrevi sobre você no último post. Sobre você, sobre mim, sobre nós. Disse o quanto você me confunde; o quanto você me deixa com vontade; o quanto você faz com que eu te queira demais. Eu disse e não vou retirar as minhas palavras daqui, mesmo porque você ainda me confunde, me deixa com vontade e eu continuo te querendo. Fazer o que?

Eu não sei... Pode ser só desejo, mas e daí? Eu não to aqui pra discutir se é desejo, se é vontade besta, se é amor ou se é paixão. Eu to aqui pra dizer que eu quero você e ponto final. Essa é a única certeza que eu tenho e, cá pra nós, é dessa certeza que eu gosto.

Embora eu tenha lá as minhas inseguranças, eu não sou mais um pré adolescente que não sabe como dizer o que pensa ou demonstrar o que realmente quer; e você também não é mais um garotinho que não consegue perceber as coisas, principalmente quando elas estão
na sua cara.
Não foi de uma hora pra outra. Você fez com que eu te quisesse aos poucos, e aos poucos eu faço você perceber que eu te quero, mas será que você me quer também? Não interessa. Não vim aqui questionar sobre os seus sentimentos ou sobre as suas vontades. Vim aqui falar das minhas. Qualquer dia desses, quando eu cansar dessa sutileza toda que eu uso pra te falar a mesma coisa sempre, quando eu cansar desse seu joguinho de ficar calado e do seu jeito de não demonstrar nada, eu vou te olhar daquele jeito e gritar contigo!

Vou dizer bem alto na tua cara: “eeei, eu te quero e quero agora!” pra ver se você entende a merda da minha vontade de uma vez , já que você não percebeu o que estava nas entrelinhas!

Não deu pra enrolar e eu não posso ser mais claro do que isso. Dizer que te quero é o máximo que eu posso fazer e isso, modéstia à parte, eu fiz muito bem.

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